Tem parada estranha aí irmão - Bad Bunny no Super Bowl
Debí tirar más fotos de cuando te tuve, Debí darte más beso' y abrazo' las vece' que pude
Booooa pra nois galera. Hoje vamos falar do Bad Bunny no super bowl. Chega mais!

Pra quem estava numa caverna esses últimos meses, Bad Bunny estourou com o álbum "Debí tirar más fotos", e acabou de ganhar o grammy de melhor álbum do ano (!!!).
Não quero ser simplista, mas vou ser breve e falar apenas o que mais me toca no álbum. É o seguinte:
DTMF trata da América latina enquanto experiência única. Cada país com suas individualidades, mas o Benito escancara a nossa proximidade e união de diversas formas.
Sempre uma mensagem presente de anti imperialismo. Eu não diria que é escancarado, mas muito mais sutil e nas camadas do álbum. Essa complexidade de camadas é o que torna o álbum tão ZIKA.
E aí talvez vc se pergunte, devia tirar mais fotos DI GUÊ? E que porra de cadeira é essa?

A música DtMF em si trata de uma experiência romântica em primeiro plano, mas nas camadas temos de novo a experiência latino americana em evidência. A maioria de nós desse lado do hemisfério teve uma infância simples. Muitos nós nos brincávamos num quintal de vó igual esse da foto quando criança.
Em segunda camada, enxergo que "devia ter tirado mais fotos" significa ter aproveitado mais a presença dos nossos familiares e amigos ao longo da vida. Na experiência latino americana temos a família como ponto central das nossas relações, mesmo que por muitas vezes isso signifique relações caóticas. Não vamos romantizar nada, mas é a real. Estadunidense tem uma relação com família profundamente diferente da gente.
(bonus)
Pra acabar de provar que a experiência latina é única. Olha a foto desse bolo de aniversário do Benito:

kkkkkkk vai tomar no cu, vai falar que vc não tem uma foto igualzinha? O bolo decorado assim, a decoração improvisada na parede. Igualzinho véi!
onde a parada fica estranha...
O super bowl pode representar o ápice da cultura capitalista e consumista ocidental.
Cada anúncio de 30 SEGUNDOS esse ano tá custando entre US$ 8 milhões e US$ 10 milhões. De DÓLA!
No meio desse caos todo, a gente tá vendo uma tensão e covardia constante entre o ICE e os imigrantes.
Não é estranho que nesse ambiente inóspito seja permitido que o Benito suba lá, faça um show que escancara todas essas contradições?
É praticamente uma mensagem anti imperialista de valorização da América Latina. Na CASA DOS CARA!
Mark Fisher explica. De novo.
Por aqui eu cito muito Mark Fisher, do livro Realismo Capitalista, pois acho que ele é preciso em explicar essas contradições.
Acontece o seguinte: os Estados Unidos permitem esse tipo de mensagem na própria casa PQ ELES PODEM. Simples assim. Sabem que não vai dar em nada.
O Mark Fisher explica que após a queda do bloco soviético, foi extinguida qualquer ameaça real ao sistema vigente.
Então, a mídia pode "performar o anticapitalismo" pra nós, pra de certa forma nos trazer algum conforto e alguma esperança que as coisas podem mudar. Mas não existe nenhuma ameaça real.
O anti-capitalismo também vira mercado, em todas as mídias. No instagram particularmente o conteúdo político é uma praga, pois de ambos espectros políticos, é só a big tech que tá enchendo o bolso de dinheiro, enquanto ficamos presos compartilhando reels e stories. Baguio é doido hein?
Conclusão / e eu faço o que agora?
Não me entenda mal: Achei fantástica a apresentação, isso requer coragem e uma sensibilidade tremenda pra unificar todo mundo na mesma onda.
TEMOS SIM que disputar esse espaço cultural. Já estamos com uns oscar e indicações na conta. Ambos Ainda estou aqui e O agente secreto tratam da mesma temática anti imperialista.
E o que nois faz, enquanto trabalhador fudido latino americano?
A gente se organiza pora kkkkk É a única opção com impactos reais. O valor dentro do capitalismo só se cria a partir do trabalho. Quem trabalha é quem tem que mandar. Enquanto isso, a classe trabalhadora nunca esteve tão desunida. É isso que tem pra fazer.
Valeu por chegar até aqui! Me manda um salve se curtiu a ideia.