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Tem capitalismo até depois da morte? Filmes da semana #2

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E aí, de boa?

Hoje vamos falar do filme "A Vida é uma Festa":

Sinopse: Em Viva - A Vida é uma Festa, Miguel é um menino de 12 anos que quer muito ser um músico famoso, mas ele precisa lidar com sua família que desaprova seu sonho. Determinado a virar o jogo, ele acaba desencadeando uma série de eventos ligados a um mistério de 100 anos. A aventura, com inspiração no feriado mexicano do Dia dos Mortos, acaba gerando uma extraordinária reunião familiar.

O filme explora a cultura mexicana do Dia de Los Muertos. Particularmente eu acho muito interessante essa perspectiva de relembrar a memória com festa, o que é diferente do que a gente faz no Brasil. Mas isso é papo pra outro dia.

No dia delos muertos as pessoas fazem as ofrendas, que são aqueles altares com fotos, velas, comida. Tudo isso parte de uma simbologia:

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No filme, esse conceito muda um pouco. Conseguimos ver o "céu" onde os mortos ficam, e ai que começa o realismo capitalista hahahah

O altar no filme tem um propósito economico. BASICAMENTE, no filme, se ninguém se lembra de você após a sua morte, você vai morrer de novo, só que dessa vez de forma PERMANENTE.

E aí isso cria uma lógica economica:

Mas não só isso, calma que piora:

As pessoas que são muito lembradas pelas pessoas vivas são retratadas como RICAÇOS no céu. O antagonista é um cantor famoso pilantra, que depois da morte vive numa puta mansão do silvio santos. PASME: com empregados e os caralho. Screenshot 2026-01-23 at 07

E as pessoas que não são lembradas?

Malandro, as pessoas "pobres/que nao sao lembradas" vivem numas cracolândias lá do céu. Corpos definhando, esperando a "morte" que vai ser quando a última pessoa viva esquecer delas.

Doido né? É, vamos fazer umas analises agora:

Até no céu tem capitalismo?

Não tem alternativa? A lógica da mercadoria continua até depois da morte?

Aqui que a parada fica curiosa. Esse filme dialoga totalmente com o Realismo Capitalista. O livro explica a ideia de que nossa realidade é composta de compreensões do mundo baseadas em ideologia que rejeitam fatos de fora de suas interpretações.

Perai que complicou, mas é o seguinte:

Nossa compreensão de mundo é tão ideologicamente enviesada, onde o sistema capitalista se mostra como o único possível. Nessa compreensão de mundo, é difícil imaginar (mesmo na arte, cultura pop) um mundo diferente.

A mesma coisa acontece no Wall-e, onde mesmo depois do mundo ser destruído pelo capitalismo e estar zoadão cheio de lixo, o capitalismo ainda existe nos astronautas lá do filme.

Esse artigo é especial pra mim

Mark Fisher, autor do Realismo Capitalista, conseguiu sintetizar muito bem as angústias modernas no seu livro. Questões como essa desesperança sistêmica e falta de perspectiva em temas de trabalho e sociedade. Acho um livro essencial pra se localizar nesse mundo caótico.

Ele fazia muitas dessas analises de filmes e cultura pop sobre uma ótica do capitalismo tardio no seu blog k-punk. Mark Fisher nos deixou em 2017, e de uma certa forma essa é minha forma de continuar esse trabalho de observar o mundo por essa ótica.

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Conclusão

O filme é bom mesmo! Tem músicas muito boas, explora a cultura mexicana, é muito interessante. Fiz esse artigo pra pensar um pouco além do obvio, e tentar fazer umas correlações com minha visão de mundo e tentar pensar o que a gente consegue identificar de ideologia.

Meme temático pra fechar:

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