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Pressão estética, solidão urbana e trabalho precário: filmes da semana #1

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Dois filmes com algo em comum: protagonistas tentando sobreviver em sistemas que esmagam.

Uma combinação bem aleatória com um romance finlandês ultra-minimalista e um terror norueguês sobre padrões de beleza.

Bora?? 👇

Folhas de outono (2023)

Diretor: Aki Kaurismäki. Finlândia, Alemanha

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Sinopse: Ansa e Holappa são duas almas solitárias cujo encontro casual em um bar de karaokê enfrenta vários obstáculos.

Parou parou parou: antes de tudo, um pouco de contexto sobre esse diretor pra entendermos o estilo.

Um diretor que sempre tem protagonistas da classe trabalhadora, e muitas vezes a trama se passa por meio de relações de trabalho. Vemos condições degradantes, porém conseguimos ver as personagens mantendo sua humanidade e dignidade, apesar das condições sistêmicas.

A relação com a ex-união soviética também é muito presente. Filmes ambientados na Europa Oriental e Leste Europeu, temos nuances que mostram o impacto da URSS nos diálogos e modo de viver.


Sobre ESSE filme (Folhas de outono):

A frieza: pra gente do Brasil, as personagens têm uma frieza pra agir e conversar que SOA MUITO ESTRANHA. Chega a ser engraçado! Faça o exercício: se imagine crescendo num país frio da peste, com as relações sociais daquela forma (lembrando que o filme é um pouco caricato também)

Solidão urbana: Uma vibe que até lembra os grandes filmes Encontros e desencontros (2003) e Medianeiras (2011). Conexões genuínas são raras e preciosas.

Precarização do trabalho: Tema atual, né gente. Ambos os protagonistas encaram condições arrombadas de trabalho escancaradas nessa fase do capitalismo tardio.


Muito revigorante assistir a um filme que não segue a típica jornada do herói de Hollywood, ou romances previsíveis. Ritmo lento porém conciso, pessoas reais com dilemas palpáveis.

Meu veredito: FILMAÇO!


A Meia-Irmã Feia (2025)

Diretora: Emilie Blichfeldt. Noruega, Polônia

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Sinopse: Elvira luta contra sua linda meia-irmã em um reino onde a beleza reina suprema. Ela recorre a medidas extremas para cativar o príncipe, em meio a uma competição implacável pela perfeição física.

Sinopse (na Mubi): Repleta de vermes, a estreia magistral e medonha da roteirista e diretora norueguesa Emilie Blichfeldt disseca fantasias superficiais sobre a beleza interior. Adaptando o conto clássico, esta versão de horror corporal de Cinderela se contorce na escuridão da história original dos irmãos Grimm.

Então, cês tão ligado que no conto original (irmãos Grimm), a meia-irmã CORTA OS DEDOS DO PÉ pra caber no sapatinho de cristal?

Pois bem... deixa baixo e vamos falar de algumas interpretações.

A pressão estética contemporânea

A mensagem é muito pouco ambígua. A pressão estética grita mais alto que nunca: culto à magreza extrema, "meter o shape" e procedimentos estéticos sem fim. Tudo isso amplificado pelas redes sociais num loop 24h.

Paralelo com o filme Substância (2024)

Ambos os filmes tratam da mesma coisa: mulheres se destruindo para atender padrões estéticos que nunca serão suficientes.

Aparência como forma de ascensão social

No filme, a família protagonista é uma família aristocrata decadente, onde a única forma de manter sua posição social é se casando com um príncipe, e logo, a "beleza" é uma moeda de troca nesse cenário.

A insegurança é um mercado

Numa era neoliberal do capitalismo tardio, tudo vira mercado. Então se você tá de bem com a vida, se divertindo e feliz consigo mesmo, todas as propagandas vão te dizer em uníssono: Não é suficiente.

Pra finalizar, uma função da arte é denunciar, escancarar o que todos estão sentindo, mas nem sempre conseguimos articular. O lançamento de dois filmes similares em datas tão próximas só pode confirmar uma coisa: a pressão estética adoece mais do que nunca.


Show! É isso, dois filmes que vimos recentemente, tentei correlacionar com os temas atuais. Se assistir algum deles, manda um salve.